Lar abrigado

Lar Abrigado

I – APRESENTAÇÃO

“Habitar, morar, é enraízar-se, é reconhecer-se num espaço onde a sua singularidade é apropriada para viver a mais absoluta intimidade. Estar em casa é vivenciar a intimidade de seus afetos, sua relação com os objetos, seus afazeres, sua gente ou então sua solidão” (Ferreira, 2007).
A Associação Hospitalar Thereza Perlatti de Jaú, vem constantemente implementando a reformulação de sua estrutura física e terapêutica, visando adequá-la a uma nova prática, isto é, deixando de ser um espaço asilar (exclusão) para se tornar um Hospital em excelência em saúde mental, humanizando o serviço e garantindo qualidade de vida aos pacientes.
É dentro dessa proposta que em 1996 foi criado o Programa de Lar Abrigado. Este programa está profundamente vinculado ao processo de reformulação terapêutica desta instituição, contribuindo para a melhoria das condições de vida do paciente morador, buscando a estimulação e a manutenção da independência e autonomia dos pacientes em suas atividades de vida diária e prática. Podendo exercer sua cidadania como sujeito participante no processo de resgate de sua identidade.
Para as pessoas com transtornos mentais, tantas vezes excluídos pela família, pela cultura e pela sociedade, é necessária que na prática psiquiátrica seja reconstruída a possibilidade de vivenciar uma existência livre de esteriótipos. Para tanto, deve ser reformulado e repensado o conceito de reabilitação, de modo a englobar um olhar ético, técnico e político.
“Na construção dessa nova forma de reabilitação, cujo usuário deve ser o principal interlocutor, surge um outro contrato na compreensão da loucura, no qual é dado lugar, não mais para a doença, mas para a existência sofrida e suas diversidades. Espaço de circulação do afeto que reconstrói o cotidiano, incluindo as três instâncias (moradia, trabalho e lazer) como referências primordiais. Princípios que devem ser assegurados junto à comunidade, transformando valores e mentalidade da cultura instituída”. (Ferreira, 2007)
O Projeto de Lar Abrigado tem mostrado a importância em se tratar o Portador de Transtorno Mental com dignidade, garantindo respeito à sua individualidade. Tal proposta tornou-se referência para outros serviços, tendo em vista os resultados obtidos, principalmente com a melhora significativa no quadro psicopatológico dos pacientes moradores.

II – OBJETIVO GERAL

Promover a melhoria na qualidade de vida e no quadro psicopatológico do paciente de transtorno mental, através da transferência do ambiente hospitalar para um ambiente individualizado com todos os benefícios que uma casa proporciona.

III – OBJETIVO ESPECÍFICO

  • Trabalhar a independência e autonomia em suas atividades de vida diária e prática;
  • Proporcionar melhoria na vivência do tratamento;
  • Resgatar a identidade;
  • Estimular o convívio social contribuindo para as relações de mútua ajuda;
  • Promover a ressocialização;
  • Favorecer o direito de escolha de seus interesses pessoais;
  • Intermediar a alta hospitalar para programas como Residências Terapêuticas ou reintegração sociofamiliar.

 

IV – METODOLOGIA TERAPÊUTICA

A Equipe Técnica Interdisciplinar inicia seu trabalho avaliando o grau de dependência, o nível de comprometimento decorrente do longo período de hospitalização e as possibilidades de autonomia frente à capacidade de automanutenção.
Após criteriosa avaliação e discussão dos casos, a Equipe Técnica define a melhor estratégia de atuação no sentido de preparar o paciente para a transferência de Programa. Tal transferência deve ser gradativa e supervisionada devido ao grau de institucionalização que torna o indivíduo prisioneiro e dependente, incapaz de decidir ou escolher sobre suas necessidades, gerando resistência e insegurança em “sair” do ambiente hospitalar.
A Equipe Técnica realiza reuniões semanais para discussão de caso e funcionamento do Programa. Apesar do atendimento interdisciplinar cada paciente tem como referencia um profissional que auxilia o paciente na administração do benefício LOAS, aposentadoria ou pensão e no contato telefônico com familiares.